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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

"Movimento Modernista"

Movimento Modernista
         
"Paisagem com touro" - Tarsila do Amaral - 1925

Tendência vanguardista que rompe com padrões rígidos e caminha para uma criação mais livre, surgida internacionalmente nas artes plásticas e na literatura a partir do final do século XIX e início do século XX.
É uma reação às escolas artísticas do passado. Como resultado desenvolveram-se os movimentos: Expressionismo, Cubismo, Dadaísmo, Surrealismo e Futurismo.

Movimento Modernista no Brasil

No Brasil, o termo “Modernismo” identifica o movimento desencadeado pela Semana de Arte Moderna de 1922. De 11 a 18 de fevereiro daquele ano, conferências, recitais de música, declamações de poesias e exposições de quadros, realizados no Teatro Municipal de São Paulo, apresentam ao público as novas tendências das artes no país.

"Família Enferma" - Lasar Segall - 1920

Seus idealizadores rejeitam a arte do século XIX e as influências estrangeiras do passado. Defendem a assimilação das estéticas internacionais para mesclá-las com a cultura nacional, o que dá origem a uma arte vinculada à realidade brasileira.

Uma das principais exposições de arte moderna no Brasil é realizada em 1913 pelo pintor de origem lituana Lasar Segall. Suas telas chocam, mas as reações são amenizadas pelo fato de o artista ser estrangeiro.


Em 1917, Anita Malfatti faz a que é considerada de fato a primeira mostra modernista brasileira. Apresenta telas influenciadas pelo cubismo, expressionismo, fauvismo e futurismo que causam escândalo, entre elas “A mulher de cabelos verdes”.
Apesar de não ter exposto na Semana de 22, Tarsila do Amaral torna-se fundamental para o movimento. Sua pintura é baseada em cores puras e formas definidas. Frutas e plantas tropicais são estilizadas geometricamente, numa certa relação com o cubismo. Um exemplo é a obra “O Mamoeiro”.

"O Mamoeiro" - Tarsila do Amaral - 1925

A partir dos anos 30, Tarsila interessa-se também pelo prolateriado e pelas questões sociais, que pinta com cores mais escuras e tristes como em “Os operários”.

Di Cavalcanti retrata a população brasileira, sobretudo as classes sociais menos favorecidas. Mescla elementos realistas, cubistas e futuristas, como em “Cinco moças de Guaratinguetá”.

Outro artista modernista dedicado a representar o homem do povo é Cândido Portinari, que recebe influência do expressionismo. Entre seus trabalhos destacam-se as telas “Café” e os “Retirantes”.

"Os Retirantes" - Cândido Portinari - 1944

Distantes da preocupação com a realidade brasileira, mas muito identificados com a arte moderna e isnpirados pelo dadaísmo, estão os pintores Ismael Nery (1900 -1934) e Flávio Carvalho (1899-1973). Na pintura mecerem destaque ainda Regina Graz (1897-1973), John Graz (1891-1980), Cícero Dias (1908-2003) e Vicente do Rego Monteiro (1899-1970).

O principal escultor modernista é Victor Brecheret. Suas obras são geometrizadas, tem formas sintéticas e poucos detalhes. Seu trabalho mais conhecido é o Monumento às Bandeiras, no Parque do Ibirapuera em São Paulo. Outros escultores importantes são Celso Antonio de Menezes (1896-1984) e Bruno Giorgi (1905-1993).

"Paisagem imaginária" - Guinard - 1947

No final dos anos 20 e início da década de 30, começaram a se aproximar do movimento modernista, artistas mais preocupados com o aspecto plástico da pintura. Utilizavam cores menos gritantes e composição mais equeilibrada. Entre eles estão: Alberto Guignard (1896-1962), Alfredo volpi (1896-1988) e Francisco Rebolo (1903-1980).
O modernismo enfraquece a partir dos anos 40, quando o abstracionismo chega com mais força ao país. Seu final acontece nos anos 50, com a criação das Bienais, que promovem a internacionalização da arte brasileira.

Atividades: Releituras  de obras de arte de pintores modernistas.

Objetivos:
a) Conhecer o movimento modernista no Brasil, no mundo e os pintores que participaram desse movimento.
b)    Conhecer o estilo adotado pelos artistas, os materiais utilizados e expressar-se de forma criativa inspirando-se nas obras deles.
c)     Trabalhar os conteúdos de arte e estética.

Atividade 01 – Releituras dos artistas modernistas – Texturas e aquarela












Material: Cartolina branca, Papel para pintura gramatura 300 ou Papelão Paraná, barbante cru grosso, rolinho de espuma, duas folhas de papel de seda branca, cola branca, pincel macio, lápis preto, régua e Tinta guache, Acrílica ou PVA diluída em água (Aquarela).

Modo de fazer:
a) Inspire-se em uma obra modernista e faça seu próprio desenho na cartolina ou papel para pintura de gramatura 300.
b) Passe cola branca nas linhas que formam o desenho e, sobre elas, cole barbante. Deixe secar bem, de preferência de um dia para outro.
c) Coloque bastante cola branca por todo o trabalho, espalhe com o rolinho de espuma. Amasse a folha de seda e estique sobre o trabalho.
d) Pressione com a mão para que o papel de seda fique bem colado sobre o trabalho e as linhas do desenho fiquem bem nítidas pois estarão com o barbante sobre elas. Deixe secar novamente.
e)  Dilua Tinta Acrílica, Guache ou Tinta PVA em água para que fique bem aguada, como uma Aquarela. Pinte todo o trabalho e espere secar.



Desenvolvimento dos trabalhos – Todas as releituras acima, foram feitas nas aulas de Artes do Colégio São João Gualberto de Pirituba – SP, pelos alunos do 7º Ano, orientados pela professora Márcia Querino Teixeira. Foi trabalhado o Movimento Modernista, seus destaques (pintores e escultores), técnicas, temas, cores e influências.

Conteúdos trabalhados:
-  Modernismo – Semana de 22 – Pintores Modernistas
-  Leitura formal, interpretativa, releitura, vida e obras dos pintores modernistas.
- Linhas, formas, cores, composição, sobreposição, textura, movimento, volume e harmonia.

Técnicas trabalhadas:
- Colagem, Texturização e Pintura aquarelada.

Possibilidades de trabalho
- Inicialmente fale para os alunos sobre o Modernismo no mundo e no Brasil.
- Pergunte se conhecem alguns pintores modernistas e como são suas obras?
- Divida-os em grupos e peça que cada grupo pesquise sobre um artista modernista, os temas abordados nas suas obras, as características e cores utilizadas, o estilo de pintura, etc.
- Peça aos alunos que socializem com a classe o que pesquisaram.
- Ensine a técnica “Textura aquarelada” e proponha que cada aluno faça sua releitura inspirada no artista escolhido.
- Chame os pais e socialize as obras criadas pelas crianças.
- Faça uma roda de conversa onde as crianças contarão o que aprenderam com o desenvolvimento da atividade, como foi o processo de criação, quais os novos conteúdos aprendidos e quais os relembrados.

Obs: Texto publicado no site da Acrilex – www.acrilex.com.br – link “Educadores” – Edição 13.

Ivete Raffa
Arte educadora e pedagoga


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Artes Plásticas - Modalidade 05 - Pintura

A arte de pintar...



A pintura acompanha o ser humano por toda a sua história. Ainda que durante o período grego clássico não tenha se desenvolvido tanto quanto a escultura, a pintura foi uma das principais formas de representação dos povos medievais, do Renascimento até o século XVIII.

A partir do século XIX, com o crescimento da técnica de reprodução de imagens, graças à Revolução Industrial,  a pintura de cavalete perde o espaço que tinha no mercado. Até então a gravura era a única forma de reprodução de imagens, trabalho muitas vezes realizado por pintores. Mas com o surgimento da fotografia, a função principal da pintura de cavalete, a representação de imagens, enfrenta uma competição difícil. Essa é, de certa maneira, a crise da imagem única e o apogeu de reprodução em massa.


No século XX a pintura de cavalete se mantém através da difusão da galeria de arte. Mas a técnica da pintura continua a ser valorizada por vários tipos de designers (ilustradores, estilistas, etc.), especialmente na publicidade. Várias formas de reprodução técnica surgem nesse século, como o vídeo e diversos avanços na produção gráfica. A longo do século XX vários artistas (dadaístas e membros da pop art) fazem experimentações com a pintura e a fotografia, criando colagens e gravuras. Mas é com o advento da computação gráfica que a técnica da pintura se une completamente à fotografia. A imagem digital, por ser composta por pixeis, é um suporte em que se pode misturar as técnicas de pintura, desenho, escultura (3D) e fotografia.

A partir da revolução da arte moderna e das novas tecnologias, os pintores adaptaram técnicas tradicionais ou as abandonaram, criando novas formas de representação e expressão visual.


Na base das artes visuais está o mecanismo da visão, cérebro e mãos. É com as mãos que desenhamos, pintamos, esculpimos, etc. Para isso precisamos, além das mãos, de vários materiais, isto é, instrumentos que possibilitem realizar as ações como: lápis, giz, tintas, pincel, cinzel, entre outros. Manipulados pelo homem, os instrumentos fazem o registro das ideias, materializando visualmente o pensamento.




Tipos de suportes que utilizamos para pintar

Podemos pintar em vários tipos de suportes como: tela, ecotela, porcelana, madeira, plástico, vidro, gesso, espelho, tampas de pizza, garrafas PET, latas de alumínio, caixas (sucatas), azulejos, papéis, EVA, entre outros.


É necessário observar qual o material utilizar, uma vez que para cada base o material deverá ser específico.


Tipos de materiais que utilizamos para pintar

I – Materiais para pintura secos

a) Carvão
O carvão é um material clássico no desenho, talvez o mais antigo. Usa-se para esboçar ou para desenhos e pinturas definitivas, de acordo com o suporte e a intenção. Atualmente é correntemente usado em aulas de artes visuais e em escolas e academias de arte, pois proporciona gradações muito expressivas.
O trabalho de carvão é muito frágil. No final dos trabalhos o desenho deve ser fixado, coberto com um spray próprio, ou com uma solução vaporizada de álcool e goma laca.

"Paisagem" – Eliana Tiné – Goiânia – GO

b) Lápis preto
O grafite foi o antecessor do lápis de preto. Ele foi descoberto na Baviera em 1.400.  No passado usavam alguns materiais na confecção das minas como cera, goma-laca, resina, etc.
Hoje, existem no mercado uma variedade enorme de qualidades de grafite, mais grossas, mais finas, mais duras, mais macias, enfim, cada tipo é utilizado para uma determinada função.
    Dura                                                     Média                                                    Macia
    8H   7H   6H   5H   4H   3H   2H   H   HB   F   B   2B   3B   4B   5B   6B   7B   8B   9B

Por “H” entende-se “Hard” – mina dura
Por “B” entende-se “Brand” – mina macia
Por ”HB” entende-se “Hard/Brand” – mina de dureza média

Os lápis pretos podem ser usados praticamente em todas as superfícies, menos nas plastificadas, onde adere mal. Quase todos os tipos de papel – lisos, texturizados, rugosos – são também suportes adequados. Neles podemos realizar trabalhos com várias tonalidades de cinza.  O tipo de papel que se usa é importantíssimo pois determina a forma como a grafite vai se comportar, Papéis coloridos são frequentemente usados para trabalhos de desenho e grafite.

“Ventania” – Márcia Querino Teixeira – Pirituba - SP

c)  Lápis de cor
Os lápis coloridos fazem a alegria da criançada. Qualquer criança sonha em ter uma caixa de lápis de cor com 36 cores.
A boa qualidade de um lápis de cor é fundamental para o êxito de um trabalho. Bem utilizados, podem produzir trabalhos esplêndidos.
A mistura e a sobreposição de cores valoriza o cromatismo fazendo com que um simples desenho ganhe mais vida.
Existem lápis de cor de durezas diferentes, são três tipos principais:
- Lápis de mina grossa e relativamente macia que são resistentes à luz e água e não precisam de fixador.
Lápis de mina mais fina e mais dura, são usados para desenhos com muitos detalhes, também resistentes a água.
Os lápis de minas solúveis em água (aquareláveis) permitem um trabalho misto de desenho e aquarela.

“Pintura Abstrata” – Márcia Querino Teixeira – Pirituba - SP

d) Giz de cera
É um material escolar, usado principalmente para desenhar, constituído principalmente por parafina, pigmentos e cargas, apresentando uma vasta variedade de cores, graças a mistura de seus corantes.
O giz de cera é muito usado por crianças na fase pré-escolar, por seu traço grosso, colorido e sua facilidade de uso. Em outras ocasiões, por sua suavidade nos contornos são usados deitados, raspados, misturados com guache ou para dar textura a um trabalho.
O seu uso é um pouco prejudicado pela facilidade de se quebrar ao cair e o traço grosso dificulta pequenos detalhes, mas nada que impeça bons trabalhos.
Além do “Giz de cera”, existe o “Giz pastel seco” e o “Giz de cera oleoso” que proporcionam excelentes resultados de pintura mas são usados principalmente nas pinturas artísticas.

“Pesca com peneira” – Eliana Tiné – Goiânia - GO

II – Materiais de pintura aquosos
a) Pintura a dedo
A pintura a dedo é, geralmente, o primeiro contato físico da criança com o mundo das tintas, com as cores e a criação.
Esse tipo de atividade estimula a criatividade, faz com que as crianças fiquem mais desinibidas, contribui para o desenvolvimento da coordenação motora e da percepção tátil.
O ato de “carimbar” os dedos sobre uma base, significa “deixar a própria marca” e essa atitude acompanha o ser humano desde o início da civilização.

“Jardim” – Lucas Querino Teixeira – Pirituba – SP

b) Tinta Guache
Na Idade Média já se usavam guaches nas iluminuras. Embora o guache seja principalmente uma técnica de pintura, é também, usado muitas vezes para desenho e ilustrações ou ainda para trabalhar em conjunto com materiais variados de desenho.
Guache é uma palavra que provem do Italiano “Guazzo” que quer dizer tinta de água. O termo foi originalmente cunhado no século XVIII em França, embora a técnica seja muito mais antiga, utilizada frequentemente no início do século XVI na Europa.
O guache é diluido em água até ter mais ou menos a consistência do azeite e o ideal é aplicá-lo em papéis de alta gramatura para não enrugar ou esfarelar.

“Canoa” – Eliana Tiné – Goiânia - GO

c) Tinta Acrílica
Tinta Acrílica é uma tinta sintética solúvel em água que pode ser usada em camadas espessas ou finas, permitindo ao artista combinar as técnicas da pintura a óleo e aquarela.
A tinta acrílica possui uma secagem muito rápida, em oposição à tinta óleo que chega a demorar meses para secar completamente em trabalhos com camadas espessas, possui um odor menos intenso e não causa tantos danos a saúde por não possuir metais pesados, como o cobalto da pintura a óleo.
Sua praticidade, já que não depende de secantes e o diluente é a água, não é nociva ao pintor. Seca rápido e a matriz cromática é ampla, a torna muito popular entre artistas contemporâneos.
A tinta acrílica é muito usada nas escolas pois ela é lavável, pode-se remover sujeiras, com auxílio de uma esponja macia e sabão neutro. O preço dessa tinta é bem acessível.




“Paisagem” – Eliana Tiné – Goiânia - GO

d) Aquarela
A aquarela é uma técnica de pintura na qual os pigmentos se encontram suspensos ou dissolvidos em água. Os suportes utilizados para as pinturas aquareladas são muito variados, embora o mais comum seja o papel com elevada gramatura (300gr). São também utilizados como suporte o papiro, casca de árvore, plástico, couro, tecido, madeira e tela.

Obs: Texto publicado no site da Acrilex - www.acrilex.com.br - link "Educadores" - Edição nº 18
Ivete Raffa
Arte educadora e Pedagoga
Livros pedagógicos e Capacitação de professores em Arte educação